Sexta-feira, Junho 30, 2006
Velhas Cartas
Olhou mais uma vez pra todas aquelas cartas jogadas por cima da cama.
Mayara, Viviane, Lilian, Camila, Juliana. Eram tantos nomes, tantas palavras que já não tinham sentido, que era inevitável pensar em como tudo tinha ganhado um sentido tão vazio.
O riso estridente que divertia e as vezes até incomodava já não se fazia presente. Nem toda aquela genialidade e intimidade com as tintas que outra'hora o fascinava tanto. O reflexo do sol nos cabelos claros, o olhar vago ou toda forma sinuosa também já não estavam ali.
Releu as cartas mais uma vez, parando a cada "eu te amo" pra tomar fôlego.
Olhou para o quarto vazio e voltou os olhos pra última linha.
"
Conta comigo, sempre. Te amo."
x Since I've Been You Loving You, Corinne Bailey Rae
Thiago Dantas às 3:42 PM
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Quinta-feira, Junho 29, 2006
Mais Um Pouco De Você
Pra ter mais um pouco de você, assim, quando você tiver longe...
... Acho que vou gravar um cd com
suas músicas.
Aí, quando eu tiver voltando pra casa, o caminho vai ficar melhor.
x Wise Up, Aimee Mann
Thiago Dantas às 9:00 PM
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Sexta-feira, Junho 23, 2006
Nem Tão Simples Assim
Toda vez que ela contava algo só seu, ele prestava atenção em cada palavra.
Ele não queria, mas meio que a julgava sem perceber. Na verdade, o que ele fazia era expor o que era verdade pra ele.
Nunca quis mudá-la. De todo o jeito e de todos os jeitos, ela era especial. Achava lindo quando ela contava um fato tão comum, até a coisa mais cotidiana virava poesia. Tudo tão simples, que sentia vontade de ficar quieto só pra ela poder falar mais.
Quando ela dizia o que sentia, ou alguma coisa triste... a intensidade era tamanha que ele chegava a contemplar.
Não sabia ao certo o que ela achava de tudo, tinha receio de que um dia ela fosse embora, por ter cansado, enjoado, coisa assim. Se esforçava pra ser legal, e as vezes quando sabia que não conseguiria, ficava na dele pra não estragar tudo.
Tudo. Até hoje não sabia o que isso queria dizer, mas sabia que era suficientemente íncrivel pra não ser quebrado.
Quando se dava conta do quanto gostava de tudo, chegava a sentir medo. Decepcionar, chatear, magoar.
Mas principalmente, sentia medo de perdê-la.
Ele queria
dizer aquela frase.
Aquela que todo mundo sonhou em ouvir algum dia na vida.
... Mais que qualquer coisa, queria que ela fosse feliz. Talvez, por isso tantas vezes, preferia o silêncio.
x I'll Be Seeing You, Billie Holiday
Thiago Dantas às 8:41 PM
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Quinta-feira, Junho 22, 2006
A Decisão
Agora, preciso decidir.
Se o medo é maior que a vontade.
Pronto. Já decidi.
x Books Written For Girls, Camera Obscura
Thiago Dantas às 8:34 PM
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Quarta-feira, Junho 21, 2006
Aviso Importante
Não alimente os macacos. Tá entendendo?!
x Good Luck, Basement Jaxx e Lisa Kekaula
Thiago Dantas às 4:48 PM
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Terça-feira, Junho 20, 2006
Pop!
Tô viciado em música pop.
Aí eu lembro de duas coisas, 7ª série quando me perguntavam que tipo de música eu curtia e eu enchia a boca pra falar
POP!
E daquela frase famosa do Alta Fidelidade, "Eu ouço música pop porque sou triste ou sou triste porque ouço música pop?"
Hoje eu respondo: curto música boa, não importa o tipo... mas de vez em quando, uns trash assim me diverte uhhuuhuh
x Screwed, Paris Hilton
Thiago Dantas às 3:43 PM
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Segunda-feira, Junho 19, 2006
Segredo
É triste demais se dar conta que ninguém nunca te amou. E o único "talvez" que ainda era dúvida, foi embora sem dar tempo de saber se era real.
x In Other Words, Ben Kweller
Thiago Dantas às 8:50 PM
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Domingo, Junho 18, 2006
Pra Sempre
Talvez fosse o último dia que compartilhariam tantas horas.
Ia ser estranho mudar completamente a rotina, e ambos sabiam disso.
Na noite anterior ele ficou pensando em cada detalhe que talvez fosse sentir falta.
"Não vou mais ouvir você reclamar que tá de saco cheio, nem suas histórias malucas de manhã".
Chorou sem saber o porque. Talvez fosse egoísmo por querer que tudo durasse pra sempre.
Imaginou se ela também sentiria tanta falta quando tudo acabasse. Se aquela música ainda ia fazer a lembrança voltar. Se todas as caras e bocas mudariam quando estivesse sozinha.
Quis aproveitar ao máximo cada segundo. Levou até um filme pra tirar milhões, digo, 36 fotos.
Imagens eram só imagens, ele sabia. Mas de alguma forma queria que fosse uma prisão. Como se cada click guardasse pra sempre um sorriso. Como se cada foto afugenta-se o momento.
Prolongou ao máximo a ida pra casa, e na despedida não disse nada. Queria dizer que não suportaria ficar sozinho. Que os dias não teriam mais graça sem a presença dela. Que sentiria falta dos tapas ardidos que levava na orelha. E do afago nos cabelos nos dias tristes. Era muito egoísmo, ele sabia.
Quando se virou pra ir embora... ela segurou sua mão.
... E sem uma única palavra, disseram adeus.
x In Other Words, Ben Kweller
Thiago Dantas às 6:19 PM
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Sábado, Junho 17, 2006
Diferente
Então se encontraram, mais uma vez, depois de tanto tempo.
Era quase tradição. Quando a saudade apertava e do nada o pensamento corria para o outro, eles se encontravam.
Fazia quase 6 meses desde a última vez que tinham se visto. Podia ser até um ano, tudo era sempre igual no reencontro.
Quando ele perguntava "e aí, tudo bem?" ela sempre sorria e dizia "arram, e você?". Parecia que o tempo estava sempre estagnado. Nunca nada mudava, tudo era sempre a mesma coisa e mesmo assim tudo era perfeito.
Quando ele a viu percebeu que ela estava diferente. Tinha abandonado os longos cachos castanhos e agora era uma ruiva de chanel. "Outra pessoa", ele pensou.
O sorriso dela era o mesmo, e talvez por isso o abraço tenha sido igual. E quando a clássica pergunta saltou da boca dele a resposta foi bem diferente daquela previamente programada. "Na verdade, não. Nunca estive. Tudo tá me incomodando. Acho que já tenho uma certeza: preciso de mudança. Comecei pelo cabelo, o que achou?"
Surpreso demais e quase confuso pelo ritmo acelerado da fala dela, ficou uns segundos contemplando os lábios cor de rosa. "Você tá linda. Sempre linda. Mas você tá tão..." Não teve tempo de concluir. Ela cortou bruscamente, como nunca fazia e completou com uma palavra. Uma palavra que nem de longe era a que ele procurava, mas que se adequava perfeitamente a frase iniciada: "...igual."
Os dois riram ao mesmo tempo, ela olhou pra ele mais uma vez, desta vez, bem fundo. Murmurou qualquer coisa baixinho e quando ele pediu pra ela repetir ela simplesmente disse: "Você tá tão diferente." "Diferente, eu?" "É. Agora você é toda mudança que eu sempre quis".
x Voodoo Child, Jimi Hendrix
Thiago Dantas às 9:02 PM
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Sexta-feira, Junho 16, 2006
Máscara da Ilusão
Tem filmes que ninguém sabe que existe.
Não são lançados nos cinemas, ninguém vê os trailers em outros filmes, não há a mínima divulgação... Mas mesmo assim, eles existem.
E esse filme aí é um desse tipo; sem grandes astros, sem Spielbergs ou nada do tipo.
Mas olha bem pra esse postêr.
Olhou?
É
mágico.
Não poderia haver palavra melhor pra descrevê-lo.
Dá pra sacar que é um filme "diferente" desde a abertura.
O filme conta a estória de Helena [Stephanie Leonidas] uma menina filha de artistas de circo que deseja mais que tudo uma "vida real".
Após sua mãe adoecer [Gina McKee, a irmã do Hugh Grant em "Um Lugar Chamado Nothing Hill"] Helena se sente culpada e mergulha num sonho.
Um mundo totalmente mágico, cheio de cor, detalhes e vida. Um sonho.
Mas ao decorrer da estória ela percebe que o sonho pode não ser só um sonho.
Com a ajuda de Valentine [Jason Barry] Helena busca encontrar um amoleto afim de ajudar a re-estabelecer o equilibrio entre o mundo do sonho e poder voltar pra casa.
Parece bobo né?
Longe disso. O roteiro é bem cuidado [assinado pelo próprio diretor em parceria com Neil Gaiman, aquele carinha criador de Sadman], faz sorrir, VIBRAR e torcer pra que tudo dê certo. Tem horas que dá um nó na nossa cabeça, e você sente que se você piscar por qualquer motivo você vai perder grandes coisas. O pior é que você não quer piscar de jeito nenhum pra não perder nenhum segundo do espetáculo íncrivel que são as imagens. Envolvente demais, consegue fazer você ficar ligado de uma forma absurda. Inteligente, dinâmico e totalmente diferente de QUALQUER outro filme, consegue fazer algo muito raro: transportar quem assiste pra dentro do universo que a estória se passa.
A direção de arte, iluminação e fotografia é PERFEITA, tudo milimetricamente projetado pra encantar.
Criando um mundo totalmente novo, com efeitos que me deixaram bobo do primeiro minuto até os últimos créditos subirem, esse filme faz você acreditar que tudo aquilo [por mais absurdo que é]
é real.
Uma das coisas mais deslumbrantes [visualmente falando] que já vi.
A atriz principal pode ser muito jovem, mas tem um talento que supera MUITA gente grande por aí. O elenco ainda conta com a presença de Rob Brydon e Dora Bryan, talvez você desconheça os nomes... mas quando ver os rostos se dará conta que todos são familiares e ótimos atores.
Sem nenhuma lacuna, a direção de Dave McKen não deixa por menos, conduz de uma forma totalmente nova e criativa tudo; desde os atores [excepcionais] até a música [poucas trilhas incidentais soam tão bem como essa].
Queria passar só um pouquinho da sensação que tive enquanto eu assistia.
Porque aí ia ter certeza que alguém ficaria com vontade de assistir. XD
Tão surreal, absurdamente lindo e encantador... simplesmente
mágico.
E se você quiser ver
mágica, assiste aí!!!
Nota: 9.0
título original: Mirror Mask [2005]
x When The Stars Go Blue, Ryan Adams
Thiago Dantas às 9:01 PM
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Quinta-feira, Junho 15, 2006
A Dança
Colocava sempre a mesma música pra tocar, tirava os sapatos, bebia conhaque e fechava os olhos.
Andava pelo pequeno comôdo imaginando que ela estaria ali, dançando em sua frente com a velha camisa branca.
Sentava na cama com os olhos bem abertos, ou quase abertos e pensava que nunca mais a veria dançar.
O corpo tão delineado ficava escondido dentro da larga camisa branca e, a cada movimento, revelava seus doces contornos.
A cintura ia de um lado para o outro exalando sensualidade, parecendo se partir a cada meia volta. Os seios tão perfeitos insistiam em se esconder. Os olhos o convidavam pra olharem tudo mais de perto. A boca não dizia, mas chamava baixinho seu nome enquanto cantava as notas mais baixas daquela música. E quando ele chegava mais perto... as mãos dela o cobriam com febre. Já não se continham.
Devagar, com toda força, cada movimento era um passo ensaiado, passo improvisado, passo marcado.
Eram mãos, corpos e pele.
Eram, porque nunca mais ele a tocaria de novo.
Agora o que restava eram vagos vestígios de lembranças, um velho disco arranhado, uma camise sem botões e meia garrafa de conhaque.
x One More Cup Of Coffee, Bob Dylan
Thiago Dantas às 1:29 AM
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Quarta-feira, Junho 14, 2006
Constatação
Uma coisa muito estranha;
mesmo quando não sei do que você tá falando, eu tenho a sensação que entendo tudo.
Não faço idéia se são só metades, mas também não pergunto.
Não preciso.
x This I Know, Juliette And The Licks
Thiago Dantas às 10:18 AM
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Terça-feira, Junho 13, 2006
Oi?
E então estava eu andando feliz e tranquilo pela rua quando de repente ouço um grito:
- Arrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrrgggggghhhhhhhhhhhhhhhhh!
E quando automaticamente quase saio correndo, percebo que fui eu quem gritou.
Nessa hora fiquei com muito, muito, muito medo. Afinal, só sendo doido pra gritar do nada, não perceber e ainda quase correr [e quem sabe tropeçar e morrer] por causa de não sei o quê!
Respirei fundo e sorri pras pessoas que me olhavam com caras assustadas.
Fechei os olhos, andei um pouco mais devagar e tropecei!
Bem feito, ninguém manda andar de olhos fechados, não é mesmo minha gente?
Mas eu nem gritei, já tinha gritado antes. Na realidade eu abri aquele sorrisão quando eu vi quem tava vindo me ajudar... era ela, a grande, a única, a higienica
Regina Duarte!
Conversamos um pouco sobre a novela nova e o senhor Maluff e decidimos tomar um chá mais tarde na casa da Hebe.
Nos despedimos e cada um foi pra um lado.
A Rê é mesmo uma mulher íncrivel, minha gente! Qualquer um escolheria um lado tipo direita ou esquerda, mas não é que a Senhora Duarte foi pra cima?
Então, vendo ela subir aos céus me ajoelhei e pensei:
Tô com uma fome, acho que já tá na hora do almoço.
Quando eu já tava quase dentro de casa eu tive a sensação de ver o duende da vizinha se mexer... mas isso já é outra estória.
Então, cheguei em casa e como já era super tarde eu dormi.
E depois?
Pô, o que vocês fazem depois de dormir?
Eu acordei né.
x Stars Are Blind, Paris Hilton
Thiago Dantas às 10:38 AM
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Segunda-feira, Junho 12, 2006
Dias Especiais
Nunca partilhei do mesmo sentimento que todo mundo partilha no Natal.
Também nunca cresci em idéia ou estatura no dia do meu aniversário.
Só fui saber o que era Páscoa a uns 2 anos.
Semana passada, dia 6, o mundo nem acabou.
Jamais me senti mais feliz em ser criança só porque era dia 12 de outubro.
As mulheres tem um dia só delas. Baita feminismo! [que é tão terrível quanto machismo.]
A diferença entre 1º de abril do resto dos dias é que quando você mente você gargalha e desmente depois.
Acho besteira 15 de novembro, 7 de setembro e 4 de julho. Tudo tão falido.
Não amo mais minha mãe no dia das mães e nem sinto nada diferente no dia dos pais.
Ano Novo também é outra coisa que não me convence. Até parece que mudanças acontecem simplesmente porque 365 dias acabaram.
Dia 12 de junho não é diferente.
Coisas especiais não tem data marcada pra acontecer.
Acho que só em coincidências íncriveis a vida funciona e é regida por dias do calendário.
Tanto faz, todo dia é domingo mesmo.
x It's Out There, Bluebell
Thiago Dantas às 11:46 AM
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Domingo, Junho 11, 2006
E Digo Mais...
Acordei logo cedo (?) e fiquei assistindo o jogo da Holanda contra Servia e Montenegro...
Até que aos 29 minutos do segundo tempo o Fábio solta:
"Essa Holanda merece perder!
E digo mais!!!! A Servia e Montenegro merece ganhar!"
Oi?
Pois é minha gente, pois é.
x Somebody Told Me, Killers
Thiago Dantas às 1:33 PM
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Sábado, Junho 10, 2006
Inesquecível
Até hoje nunca consegui saber se ela estava certa.
Por vezes adimirei e concordei, afinal, fazia sempre tanto sentido.
Só que só fazia sentido quando saia da boca dela, porque depois, quando me lembrava das palavras... eu julgava ela como todo mundo;
egoísta, egocêntrica, mesquinha, CRUEL.
Nunca tive coragem de dizer isso pra ela, mas tenho a sensação que ela sabia.
Ela que era tão observadora, devia saber de tudo. Notava meu nervosismo quando eu chegava perto, isso tenho certeza. Mas quem não notava? ... O que eu sentia quando estava perto dela, é que ela ia muito além de qualquer aparência.
Eu sentia [e ela sabia] que ela me me deixava transparente. E o pior, é que não fazia nada com esse poder. Fingia não saber de nada, acho que tinha um prazer mórbido em me deixar sem graça [ou talvez pensasse que eu ficasse com remorso de pensar tudo aquilo], ou simplesmente achava "bonitinho". Quantas vezes eu não a ouvi dizer:
"Você ficou vermelho! Que bonitinho!". Ela adorava me deixar sem graça e fazia isso melhor que qualquer pessoa.
Se qualquer pessoa me olhasse no olho, ela olhava pro meu pau.
A dinâmica era essa; um jeito novo de me deixar sem graça.
Se ela ainda estivesse aqui, provavelmente me olharia no olho, diria que sou arrogante demais por pensar que tudo era pra mim e me daria um tapa na cabeça. Mas ela não tá.
Em dias como hoje, eu sinto falta. Falta da risada estridente, dos comentários maldosos e da sinceride bruta.
Falta de tudo que eu dizia odiar.
É, acho que sendo sincero, bem sincero, nunca vou saber se ela estava certa.
Tanto faz, acabei de constatar a pior coisa de todas: eu sinto saudade.
x Glow, Nelly Furtado
Thiago Dantas às 6:10 PM
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Sexta-feira, Junho 09, 2006
Caçadora e Caçador
O jogo de caça e caçador era quase rotina na vida de Bel e Alex.
Desde o momento que se conheceram Alex teve o pressentimento de que Bel era uma menina díficil.
Desde o começo Bel sentiu que estaria ligada, de alguma forma, a Alex.
Não deu outra, sentaram lado a lado no cursinho e conversavam todo dia, toda hora, todo tempo.
Bel era mesmo uma garota complicada. Os 18 anos e o rostinho dócil escondiam muito mais que seu sorriso mostrava. Nunca falava sobre seus problemas, e isso era um grande problema. Quando as pessoas a conheciam a um tempo, exigiam que ela contasse tudo. Ela dizia:
"não é da sua conta!" e saia andando. No outro dia, pedia desculpas e falava que esse era o jeito dela.
Alex gostava tanto da companhia de Bel que em vez de criticar ou pedir pra ela mudar esse pequeno detalhe, disse que tudo estava bem.
Um dia Bel disse que queria ficar sozinha. Não estava bem e que pra não acabar ferindo-o com palavras, era melhor ficar sozinha. Alex disse que entendia, mas por dentro ficou meio mal. Tinha mil novidades pra contar, piadas pra rir e um montão de coisa pra dividir, mas ele disse que entendia, e entendia mesmo.
Tudo ficaria muito bem, se justo nesse dia Bel não tivesse falado de montão com os outros amigos do cursinho. O que isso quer dizer? Bem, não faço idéia! Mas Alex pensou: "
Quer ficar sozinha e tá rodeada de gente? Ah... não, o problema sou eu, só pode! Ficou quieto. Afinal, ele entendia... entendia que tinha um problema.
No outro dia, Alex teve uma idéia. Chegou no cursinho de cabeça baixa e com os olhos vermelhos. Ou tinha queimado unzinho ou estava triste. Como poucas pessoas perguntam "
Ei, você queimou unzinho?", Bel logo perguntou se ele estava triste. Alex abriu o maior sorriso que conseguiu, disse
sim, eu tô e foi se sentar longe de todo mundo.
A áspereza do garoto fez Bel pensar. Até aquele momento ele sempre foi gentil, ouviu os problemas que ela tinha em compartilhar problemas e disse que a entendia. E foi aí que Bel entendeu que tinha um problema. Decidiu falar com ele. Quando ele a viu vir em sua direção, virou simplesmente e saiu andando.
"Perfeito! Agora aposto que ela vai ficar preocupada!"
Mais um dia passou. Quando Bel chegou no cursinho Alex já tinha chegado. Ela o viu rindo e meio que sem querer também ouviu uma conversa dele com um amigo; "
Então véi, tô fazendo isso pra ela ficar com remorso. Quem ela pensa que é pra fazer os outros se sentirem assim? Essa Bel é maluca, só pode!" Quando ouviu isso, se controlou pra não esganar Alex na hora. Pensou em como retrucar.
Não vou contar detalhes, mas os dias foram passando e as brincadeiras ficando mais pesadas. Um querendo ser melhor que o outro, um querendo pisar mais no outro. Aquela coisa maravilhosa, que só quem ama faz, tá sabendo?
Então, um dia, Bel o chamou pra sentar ao lado dela. Ele sentiu a maior vontade de dizer não, mas foi. Não controlando o desejo de ser sádico ao vê-la toda gentil, não disse uma palavra.
No intervalo, quando saiu pra beber água, um amigo em comum disse que ficou sabendo que a garota ia mudar de período.
Voltou e não disse nada. E não era porque não queria ou pra fazê-la sofrer com o descaso, já que ela nem sabia que ele sabia. Ele só não disse nada, porque não sabia o que dizer.
Quando chegou em casa, viu que não tinha saída.
Tinha que aceitar: ela estava indo embora.
Tanta gente já tinha ido embora da vida dele, que aceitar mais uma não seria díficil. Mentira.
A verdade, verdadeira, era que ele já tinha se despedido de muita gente. Mas todas as pessoas a quem Alex disse adeus, ele sabia que tinha aproveitado cada segundo da companhia. E no caso de Bel... ele sentia lá dentro que ainda tinha muita coisa pra viver.
... Desde o começo Bel teve o pressentimento que Alex era complicado.
... Desde o primeiro momento, Alex sabia que estaria ligado, de alguma forma, a Bel.
E não é que ambos estavam certos?
x Got Love To Kill, Juliette And The Licks
Thiago Dantas às 4:02 PM
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Quinta-feira, Junho 08, 2006
Essa Falta de Ar
A coisa que mais gostava de fazer na vida era fechar os olhos e respirar fundo. Não importava lugar, ambiente, barulho, quando ela sentia o ar nos seus pulmões sentia uma calma indescritível.
Ela sempre encarou isso dessa forma. Vai ver porque sabia que quando respirava, todo aquele ar era sinal que estava VIVA.
Viva.
Amava estar na rua, andar em parques e avenidas. Mas nem sempre podia. Vivia em cidades, tudo era tão longe.
Não importava. Ela gostava de sentir o vento cortar seu rosto. Por mais fechado que o lugar fosse, fazendo chuva ou sol, ela escancarava as janelas. As vezes as pessoas reclamavam, principalmente quando chovia e ela abria toda a janela do ônibus... Mas ela nem ligava. Se fizessem muito barulho, ela fechava um pouco e deixava uma brechinha, suficiente pra tocar o vento.
No carro do seu pai era a mesma coisa. Ele sempre reclamava, sempre! Dizia ter medo de assalto, medo que a chuva estragasse seu estofado e até medo que alguém olhasse pra "filhinha" dele. Ela achava graça no ciúme, mas respeitava. Por mais triste que achasse ver o mundo por janelas, ela as deixava quase que fechadas por inteiro. Quase porque ela sentia a necessidade de ar.
Um dia, voltando pra casa com seu pai, fingiu não ouvir o aviso dele pra lacrar qualquer sinal da janela. Ele dizia que o bairro era perigoso. E ela pensava "o que não é hoje em dia?". Fechou, não tudo, mas fechou. Uns dois dedos ficaram abertos.
Quando o carro parou num farol dois garotos da idade dela bateram no vidro. A ponta de uma arma tinha entrado pelo pequeno espaço aberto da janela direita. Ela gritou. Seu pai assustado já levantava as mãos e se preparava pra sair do carro, mas quando tirou o pé da embreagem o carro num pequeno solavanco foi pra frente... e assustado, o menino armado atirou.
Entre o último grito e o único disparo ela não sentia mais todo aquele ar.
x Ubiratan, (cLAP!)
Thiago Dantas às 7:19 PM
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Quarta-feira, Junho 07, 2006
Diz
Então pare de pensar nas conseqüências.
Só diz o que você quer dizer. Eu juro, eu quero ouvir.
A gente sempre fica pensando no que vai ser.
Tem tanta gente impulsiva que deseja tanto o poder de pensar antes de falar. A gente tem isso e quer justamente o contrário.
Seja eloquente, fale, fale, fale, se atropele com as palavras.
Fique em silêncio, ouça aquela música baixinha e espere a coragem chegar. Se ela não chegar, respire.
Pare e pense. Não, não! Não pense. Só diz.
Seja o que você quiser. Fale palavrão, eu não ligo. Seja forte, seja frágil, seja você.
Gosto de todos seus reflexos, todas suas palavras e todo seu espírito.
Não fique se repreendendo não.
Foda-se, foda-se. Diz bem alto:
FODA-SE.
E quando cansar, fica aqui.
... Tô te esperando.
x Maps, Yeah Yeah Yeahs
Thiago Dantas às 2:15 PM
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Terça-feira, Junho 06, 2006
A Pipa Laranja
Quando o sol estava quase escondido por entre os prédios.
Sentiu um pingo no rosto, e quase desistiu de correr quando olhou pra cima.
O tom alaranjado do céu o fez parar por um ou dois segundos. Pensou em quanto tempo não olhava pra cima.
Lembrou daquele dia que saiu pra pescar com seu pai, aquele mesmo dia que correu tanto que acabou tropeçando em seus próprios pés. Lembrou do curativo feito as pressas e também da pressa que teve em sair do hospital.
O dia estava tão lindo! Saiu escondido do pai pra soltar pipa com os amigos. Quando voltou, quase de noite, viu seu pai sentado no degrau da porta. Lembrou daquela sensação estranha que teve e pensando nisso achou um nome [depois de tanto tempo] pro que sentiu naquela hora:
remorso. Chegou timidamente e se sentou ao lado dele. Ficaram em silêncio. Um, dois, cinco minutos. Passaram a noite toda ali, conversando sem dizer nada.
Lembrou que foi carregado até sua cama e que no outro dia, pai e filho, foram pescar com toda vontade do mundo. Lembrou das palavras, risadas e peixes. Peixes que não conseguiram pescar, mas isso não era importante.
Lembrou da chuva.
Chuva.
Começava a chover forte mas ele já não ligava. Estava esgotado, mas sentia-se bem.
Sentiu saudade ao levantar a cabeça uma última vez antes de entrar em seu carro.
Enquanto dirigia não conseguia parar de pensar em seu pai. Como fazia falta! Pensou em sua mãe, no contato perdido com seus irmãos e na esposa que ele só lembrava que existia quando dormia e sonhava com ela. Pensou em tudo que perdeu, e em como todos os dias tornaram-se iguais.
Pensou no seu filho, pensou também na soma de todos os momentos que nunca tiveram.
Quando estava quase em casa, desviou o caminho e encontrou uma venda quase fechando. Quase implorou pro dono vender um pedaço de papel de seda, linha e umas varetas.
Chegou em casa e guardou tudo em segredo.
Teve a certeza que no outro dia tudo seria diferente. Tudo.
Mas no outro dia... tudo estava quase igual. A rotina era a mesma e ele não tinha mais tempo pra pensar em saudade.
... O papel laranja, as varetas e a linha, pelo menos estavam seguros. Guardados no fundo de uma gaveta, esquecidos como todo sentimento de mudança.
x Wish You Were Here, Ryan Adams
Thiago Dantas às 7:41 PM
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Segunda-feira, Junho 05, 2006
Duas Coisas
1ª Hoje passei a manhã toda conversando com a Alessandra. Teve uma hora, que rolou a pergunta:
- O que você mais adimira numa pessoa?
Aí ela respondeu:
"
A capacidade que ela pode ter de se tornar inesquecível".
Íncrivel, não?! Pois Zé.
2º Hoje começo o cursinho. Aquele que eu ganhei uma bolsa e tal. Segunda coisa que faço "por mim" esse ano... tô ansioso. O mais legal de tudo é que eu não sei o horário nem o endereço. É, né. Pois Zé.
3ª
Oi? Não era pra ser só duas? ... vou postar TODO DIA esse mês! Hohoho, lógico que o nível que já é baixo ficará pior ainda. Mas assim é a vida, pluga? XD~
x Under The Brigde, Red Hot Chili Peppers
Thiago Dantas às 1:52 PM
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Domingo, Junho 04, 2006
Qualquer Bobagem
Você gosta de algodão-doce?
x Time To Wake Up, Julie Delpy
Thiago Dantas às 10:00 PM
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Sábado, Junho 03, 2006
Uma Curta Desculpa
Impaciente, se jogou na cama bufando enquanto ela provava o quarto vestido diferente.
Se não gostasse tanto de vê-la despindo-se e vestindo-se, certamente teria reclamado do horário. Mas tudo que conseguia era olhar vidrado para o corpo alvo através do espelho.
Ela percebeu os olhos atentos, a sensação rasa e profunda. Quis provocá-lo mais uma vez e provou algumas peças a mais, mesmo já sabendo exatamente o que iria vestir.
Mordeu o lábio, passou a mão nos cabelos escuros e pegou no chão uma micro-saia e uma blusa preta.
Suas pernas que eram naturalmente bem contornadas, ficaram ainda mais apetitosas e esguias dentro da justa saia xadrez.
Quando disse que estava pronta, viu os olhos dele se arregalarem e não conteve o riso quando ele disse:
"Você vai assim?" E achando graça do ciúme repentino chegou perto e retrucou com um meio sorriso
"Quer que eu troque?"
"Só se for por nada." Ainda surpresa com a resposta do garoto, ela não teve tempo de reagir quando ele a puxou mais pra perto e beijou com todas as forças de seus braços, corpo e boca. Tendo todas as saídas e desejando sentir-se presa nos braços dele para sempre, entregou-se por fim ao que mais queria. Ao que sempre quis.
Provocações tem consequências. E esperas recompensas.
Simples assim.
x Sinnerman, Nina Simone
Thiago Dantas às 12:53 PM
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Sexta-feira, Junho 02, 2006
Er... Paciência. Ok?
Eu tô um porre, eu sei!
Paciência, paciência. Vou voltar ao normal, ou a um novo estado... só me espera.
x Power Bossa, Wonkavision
Thiago Dantas às 6:50 PM
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Quinta-feira, Junho 01, 2006
Cansei!
Cansei!
Porra, cansei de pensar, de fazer a mesma coisa todo dia.
Quero me vestir de vermelho, beber screwdriver e beijar na boca.
Contar piadas novas, ir pra lugares diferentes e dizer:
você é um porre!
Vou me ocupar comigo mesmo, ser um pouco egocentrico e tal. Um pouco mais, ou muito.
Falando em, lembrei DAQUELE curta "A Estrada". Alguém aqui já assistiu? Tem uma cena que o Pedro Cardoso diz: "
(...)Chegando lá, vou aproveitar pra ficar deprimido! Coisa rápida, de uma ou duas horinhas... Sei lá, quando tô aqui parece que sempre tem alguém mais deprimido que eu, aí nem dá pra ficar mal. Depois eu vou andar pelas trilhas, deprimido, e voltar pra casa. Dormir de tarde e acordar bem. E depois ir comer pitanga com você...
É disso que tô falando. Não que eu queira ficar deprimido, vai ver eu até quero. Vai ver é tudo bobagem, mas tô sentindo que todo mundo tá pior que eu, com problemas maiores... porra, eu quero minha vida de volta!
Uma vez comentaram aqui "dorme que passa!" Tô torcendo pra eu não dormir essa noite.
Não quero que passe tãooo cedo.
Quero explodir!
Dizer foda-se, chegar tarde, ficar sozinho do lado de quem eu gosto e principalmente... sorrir sem ter que demonstrar tristeza só porque todo mundo tá mal.
Eu, eu, eu, eu. Mim, meu, eu! Tá entendendo?
Ah, e resposdendo... Sim, sim. Sandy e Junior canta essa música aí que eu tava ouvindo no post debaixo com o Black Eyed Peas e com o Milton Nascimento. Tãooo legal. E depois que eu falo que gosto de Sandy e Junior ninguém acredita!
x In The Cold Cold Night, White Stripes
Thiago Dantas às 10:52 PM
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